terça-feira, 3 de agosto de 2010

E eu não dei conta de mim,
Transpassei meu ser, se é que sou; a única coisa que sei é que estou:
Estou vivendo dias movidos por segundos passageiros,
Estou vivendo alucinadamente, sobre rodas, sobre pernas, sobre um corpo!
Estou passando sempre pelos mesmos lugares,
Mas tão diferente do que eu sabia de mim,
E que de tanto tentar saber o que sou,
Sempre me perco mais,
Com as palavras surradas, que passam pelo meus ser,
Que compõem meu ser, que formam aquele livro aberto
para quem tem pupilas dilatadas pela verdade!

Eu não dei conta de mim,
Na mente outro endereço, quando bati naquela porta antiga,
Noutra rua, noutra cidade, no labirinto da minha imaginação,
Onde as borboletas me falavam pelo zunido de suas asas,
Naquela rua tudo que a chuva tocava vivia,
E as lagrimas minhas ficavam confusas,
Por que eu errei a sua porta,
Minhas lagrimas absurdamente se confundiram com a gotas de chuva ,
Mas assim menos vergonhoso,
Então quis servi-la de uma rosa, mas as pétalas só me sussurravam sobre seus espinhos.
Quis a flor de papel, mas chuva deformou,
Borrou meu pensamento, a chuva manchou meu quadro.

Não dei conta de mim.
As poros foram se dilatando,
A hipocrisia corrosiva que domina a mente alheia,
me fazendo explodir de desgosto,
embaçando meu retrovisor, minhas lentes, minha mente,
Mas nunca confundido!
Distribuíram panfletos com a informação errada,
Picharam nas ruas as cenas erradas,
Foi o preconceito correndo nas veias,
Foi a inveja fazendo a sua cabeça vulnerável!
E as palavras sujas escorrendo pelo canto da boca.
Mas por mais que eu não tenha dado conta de mim,
A minha imagem sou eu quem faço,
Desprezo seus comentários sobre meu ego, minha forma,
Minha estrutura, meu amor, meu sexo, minha vida!

Eu não dei conta de mim.
Quis chegar aos lugares que ainda não existem,
Quis fundir realidade com imaginação-sociedade um pouco mais sensível e consciente!
Eu não dei conta de mim,
Mas mesmo sendo assim, sei onde estou e o que quero,
Caminho pelos caminhos meus, sem querer saber dos seus.

Andrea Kirkovits.

2 comentários:

  1. Fico Otimo, levemente irritada a senhora com algo?

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  2. HAHAHAHAHA! ligeeeirissimamente irritada, mas, no mais, só me rendem bons poemas! ;)

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